A Mesa da Paz: um método Montessori para resolver conflitos em casa

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Ser pai não é tarefa fácil. Nunca será. Mas ao longo do tempo, ganhamos experiência e conhecimento de técnicas que ajudam a lidar com os problemas.

É normal que as crianças sintam raiva, frustração e irritação, pois as áreas do cérebro responsáveis pela regulação emocional ainda não estão suficientemente desenvolvidas. Por essa razão, é também normal que briguem com os irmãos.

Porém, mesmo sendo normal, é uma situação stressante para qualquer pai ou mãe. Para ajudar, sugerimos-lhe que adote a técnica da “mesa da paz”, que ensina as crianças a resolver assertivamente os conflitos, sejam externos ou internos.

A mesa da paz ajuda os mais pequenos a dominar as suas emoções, evitando assim o descontrolo. Consiste numa pequena mesa com cadeiras para cada criança, na qual devem ser colocados alguns objetos, todos com funções distintas:

  • Ampulheta de pelo menos 1 minuto

Ajuda as crianças a relaxar ao observar os grãos de areia a cair, e serve de indicador para dar a palavra ao outro.

  • Um objeto relaxante (p.e. uma bola antisstress)

Ajuda a distrair as crianças e a acalmá-las, para que possam pensar com maior clareza.

  • Um objeto de paz (p.e. um coração de borracha)

Evoca a sensação de paz, que também ajuda a tranquilizar os mais pequenos. Pode também ser uma pequena planta ou um brinquedo que transmita a ideia de paz.

  • Um sino ou campainha

As crianças vão poder tocar o sino quando conseguirem resolver o conflito, o que as incentiva nesse sentido.

A mesa da paz não é só uma técnica de resolução de conflitos interpessoais – pode e deve ser usada também quando a criança se estiver a debater internamente. Convide-a a desabafar e mexer no objeto relaxante e no de paz, para assimilar essas mesmas sensações.

Basicamente, a mesa da paz é um refúgio a que a criança pode recorrer sempre que se sentir nervosa, zangada, frustrada ou insegura.

Aconselhamos ainda a ler aos seus filhos mais novos livros como “O Monstro das Cores”, para que consigam associar uma cor a cada emoção. Para crianças mais velhas, recomendamos o livro “Emocionário”.

É importante que a criança não se sinta obrigada a sentar-se à mesa da paz, porque a intenção é associá-la a algo positivo e não a um castigo. Se sentirem que é uma obrigatoriedade, podem ficar ainda mais frustradas e a técnica torna-se ineficaz.

Comece por explicar para que serve a mesa: “Esta é a mesa da paz. Podes usá-la quando estiveres triste, oprimido ou irritado. Vens até a mesa, sentas-te e observas os grãos de areia a cair. Quando alguém está sentado à mesa, não deve ser perturbado”.

Com o tempo, a criança vai ficar familiarizado com a mesa e será mais fácil resolver os problemas.

O objetivo é que as crianças se sintam à vontade para se sentar à mesa e expressar aquilo que sentem, respeitando a vez de cada uma. Use a ampulheta para marcar as vezes de cada criança, e dê a bola antisstress à que está a falar. Quando a sua vez terminar, de acordo com o tempo da ampulheta, dê a bola antisstress à outra criança, que deverá então partilhar o que sente. Isto faz com que as crianças desenvolvam respeito e não se atropelem umas às outras durante as conversas.

Procure entender como cada criança e sente e porquê, e debata com ela formas de resolver o problema, sempre valorizando a sua opinião. É como se fosse o mediador, uma pessoa imparcial que tenta estimular a capacidade de resolução de problemas das crianças.

Na mesa da paz, não é permitido a ninguém gritar, bater, insultar ou interromper o outro.

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