Homem cria organização e salva mais de 2.500 crianças do tráfico de pessoas

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Ajeet Singh tinha 18 anos quando adotou pela primeira vez o filho de uma prostituta. Até hoje, resgatou mais de 2.500 crianças da rede de tráfico sexual e ajudou a fazer justiça por muitas meninas menores, abrindo processos no tribunal contra 1.400 traficantes. Muitos deles estão hoje atrás das grades, cumprindo pena pelos seus crimes hediondos.

Quando tinha apenas 18 anos, em 1988, Ajeet estava num casamento na sua cidade natal, perto de Varanasi, quando viu uma “jovem nautch” atuar. Muitos espectadores fizeram comentários obscenos sobre ela e ele lembra-se de ficar enojado com a maneira como a olharam e trataram. Isso chocou-o tão profundamente que ele decidiu fazer tudo ao seu alcance para libertar as jovens de uma profissão tão degradante.

No final da atuação, ele dirigiu-se até à jovem e perguntou se poderia cuidar dos seus filhos e educá-los de forma a que pudessem ter uma vida melhor.

Abraçar um desafio tão assustador e de tamanha responsabilidade com a tenra idade de 18 anos era uma tarefa gigantesca, mas Ajeet não pensou duas vezes e adotou imediatamente os três filhos daquela jovem.

Ele teve dificuldade em convencer a sua família, que se opôs, mas permaneceu firme e determinado. “Eu sabia que era isso que tinha de fazer”, disse.

Então, começou também a ensinar crianças de origens pobres no seu tempo livre, tornando-se mentor e inspirando-as a sonhar em alcançar objetivos maiores na vida, longe dos dias de pesadelo das ruas em que viviam.

Ajeet começou a visitar as áreas de prostituição de Varanasi com frequência, para educar os filhos das profissionais do sexo que moravam lá, e foi durante essas visitas que percebeu quão mais complexo o tema da exploração sexual realmente é.

Ocorreu-lhe que toda a profissão e sistema eram tão complexos que fornecer mera educação às crianças ou divulgar conselhos sobre saúde não ia resolver o problema. A questão era a escravidão sexual e a necessidade era abolir o sistema de tráfico sexual – só então aquelas meninas poderiam ser salvas.

Portanto, decidiu adotar uma abordagem mais agressiva, fundando uma organização chamada “Guria” em 1993, para lutar contra a exploração sexual das mulheres, especialmente menores. Elas precisavam de ser empoderadas e encorajadas a libertar-se das garras da profissão em que caíram impotentes.

Ajeet decidiu quebrar a corrente da rede de tráfico, chegando mesmo a usar câmaras escondidas, presas a acessórios no seu corpo, como canetas, botões e relógios.

Ele começou a visitar os bordéis e a fazer-se passar por um cliente para poder rastrear as áreas de tráfico e o número de jovens em cada uma das casas.

Depois de mapear tudo, ele reuniu vários voluntários e começou a invadir Shivdaspur, uma famosa área em Varanasi, e no primeiro dia conseguiram resgatar 15 meninas.

Desde então, os seus inúmeros “ataques” ajudaram a resgatar mais de 1.000 meninas. Depois de as meninas serem resgatadas, são transferidas para abrigos do governo, onde recebem aconselhamento antes de serem enviadas para os pais.

Um grupo de assistentes sociais acompanha de perto o progresso delas e garante que não são forçadas a nada nem recaem na mesma profissão. “Hoje posso dizer que Varanasi está quase livre da prostituição infantil”, afirma Ajeet.

Para garantir que o problema seria erradicado desde a raiz, Ajeet enfrentou os proprietários de bordéis, que desempenham um papel-chave no movimento da prostituição.

“Nem mesmo a polícia fez algo, por isso achámos que estava na hora de trazer o assunto a público”, conta. A organização de Ajeet começou a tomar medidas legais contra traficantes sexuais, entrando com mais de 1.400 ações judiciais contra traficantes, maioria com resultados positivos.

Ajeet tenta garantir que o condenado não recebe fiança, e trabalha arduamente com a sua equipa para tal. Até agora, mais de 400 pedidos de fiança foram rejeitados devido às apaixonadas intervenções legais da “Guria”.

“Frequentemente, os traficantes que conseguem fiança saem rapidamente e voltam a fazer o que faziam antes. Então, tentamos garantir que eles ficam na prisão por muito tempo. Alguns deles já estão presos há cerca de 4 ou 5 anos”, disse Ajeet.

A organização dá apoio às vítimas de exploração sexual, fornecendo proteção às testemunhas, aconselhamento durante os julgamentos e preparação durante a fase de prova, de modo a que as suas declarações reflitam claramente sobre os crimes cometidos contra elas.

Atualmente, mais de 108 meninas estão a ser protegidas e escondidas em vários locais.

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