Ex empregado de limpeza forma-se em Direito graças a juízes que pagaram a sua faculdade. Eles viram o potencial dele

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Samuel Santos da Silva, antigo empregado de limpeza natural de Belo Horizonte com dificuldades financeiras, foi notado por juízes da Vara de Execuções Criminais de Contagem da região, que decidiram pagar pelos seus estudos na faculdade de Direito.

Atualmente, Samuel está a tirar uma pós-graduação em Direito na Universidade de São Paulo e encontra-se a estagiar na Procuradoria Geral de Contagem.

Nascido em São Paulo, Samuel mudou-se para Minas Gerais aos 5 anos, com a mãe que tinha acabado de se divorciar.

Infelizmente, o jovem chegou a passar fome e a dormir em igrejas e praças da cidade. Pouco tempo depois, a mãe foi diagnosticada com graves problemas mentais e teve de ser internada.

Então, Samuel foi adotado por um casal que tinha sido padrinho de casamento dos seus pais. A sua nova família era constituída por um marceneiro, uma empregada de limpeza e 11 irmãos.

A sua paixão pela área do Direito surgiu no dia em que a sua adoção foi oficializada, e ele esteve presente no Fórum de Contagem.

Ao longo dos anos, Samuel percebeu que queria muito trabalhar no ramo da justiça e ajudar outras pessoas na situação em que ele esteve.

No ano de 2011, fez exames para entrar no curso em duas universidades. Devido à sua determinação, Samuel conseguiu aprovação em ambas, mas decidiu seguir para a PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais).

Uma professora que lhe deu aulas há muitos anos ajudou Samuel a pagar a matrícula, mas eventualmente ele ficou sem dinheiro.

Sem possibilidades de prosseguir os estudos devido às mensalidades em atraso, teve de desistir, mas antes disso inscreveu-se no serviço de voluntário conciliador, conseguindo assim a primeira oportunidade de trabalhar num Fórum de Contagem, com remuneração.

“Admiro muito a profissão de empregado de limpeza, que é a profissão da minha mãe adotiva. Comecei a trabalhar com muito amor e carinho”, conta.

Um dia, a conversar com um grupo de servidores na garagem do Fórum, Samuel argumentou em defesa de um ponto de vista jurídico com tamanha vigor e perspicácia que chamou a atenção do juiz Wagner Cavalieri.

Consequentemente, o juiz foi à procura de mais informações sobre Samuel, e depois de saber que ele tinha a matrícula congelada por dificuldades financeiras, aliou-se ao juiz Afonso José de Andrade. Juntos, resolveram apadrinhar Samuel nos seus estudos.

Com essa grande ajuda, que também acabou por chegar de outros juízes, Samuel conseguiu formar-se em Direito e tornar-se o segundo dos 12 irmãos da sua família a formar-se.

“Ele tem grandes virtudes. Vê-lo formado foi um prémio para mim, sensação de satisfação por ter apoiado alguém que não poderíamos perder no mundo jurídico”, disse o juiz Afonso José de Andrade.

“Os juízes apadrinharam-me, pagaram a minha faculdade do 2º período ao final do curso e ainda saldaram a minha dívida do 1º período. Foi muito importante para mim viver tudo isto. Quero ser juiz de Direito para ajudar”, concluiu Samuel, cheio de orgulho.

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