Professora cuida do irmão recém-nascido de um dos seus alunos: na casa do menino, todos estavam com Covid-19

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Quando Luciana Lira, professora de inglês do ensino fundamental da Hart Magnet Elementary School, em Stamford, Connecticut, recebeu uma chamada no dia 1 de abril, por parte da mãe de um aluno seu a pedir ajuda, não pensou duas vezes.

Zully, mãe de Junior, estava grávida de 8 meses e estava no hospital. “Mal consigo falar porque estou com muita dificuldade em respirar, mas queria que você soubesse que preciso da sua ajuda. Por favor, ligue para o meu marido”, disse Zully, de 30 anos, a Luciana, professora de Junior.

Zully precisava de uma cesariana de emergência, e infelizmente tinha testado positivo para coronavírus. Felizmente, o bebé nasceu sem problemas, mas a mãe permaneceu hospitalizada, em estado crítico, ligada a um ventilador. Os médicos ficaram muito preocupados, com medo que ela não sobrevivesse.

“Eu não pensei duas vezes. Quando ela me ligou a pedir ajuda, nem passou pela minha cabeça não dizer que sim”, conta Luciana, que só conhecia Zully e o seu marido Marvin de reuniões de pais e professores e chamadas ocasionais sobre o desempenho de Junior na escola.

Inicialmente, Luciana fazia de intermediária e tradutora entre os médicos e a família de Zully. Depois, começou também a esforçar-se para conseguir suprimentos para o recém-nascido Neysel, como chupetas, biberões e uma cadeirinha de carro, na expectativa que Neysel fosse para casa com o pai eventualmente. Contudo, pouco antes de Neysel voltar para casa, Luciana percebeu que Marvin também poderia ter COVID-19.

“Estou desesperado. Eu não quero matar o meu bebé. Se eu tiver COVID, ele provavelmente não vai sobreviver”, desabafou Marvin.

“Eu sei que você não me conhece e eu não o conheço, e acho que sou louca por fazer isto… até você fazer o teste e receber o resultado, posso ficar com o bebé”, respondeu-lhe Luciana.

Ela disse a Marvin que, se ele testasse positivo, não poderia ficar perto dela, porque ela é asmática e corre grandes riscos.

“Eu não a conheço, mas sei que posso confiar em você, e vou-lhe confiar a vida do meu bebé”, disse Marvin.

Entretanto, tanto Marvin como Junior testaram positivo para o Coronavírus. A família ficou profundamente agradecida à professora Luciana por ter ficado com o bebé, mantendo-o a salvo do vírus.

Finalmente, no dia 25 de abril, Zully teve alta do hospital, mas ainda com teste positivo para a COVID-19.

Passou-se mais de 1 mês desde aquela primeira chamada e Luciana ainda estava a cuidar de Neysel, fazendo uma grande ginástica para dar aulas a tempo inteiro e cuidar do seu próprio filho de 11 anos.

“Tenho recebido ajuda de todos os lugares e isso faz toda a diferença”, disse ela, enfatizando que todos os seus colegas e algumas organizações sem fins lucrativos contribuíram.

“A professora Luciana ficou a cuidar de um bebé recém-nascido durante uma pandemia, quando ela própria estava preocupada com o bem-estar do seu próprio filho e família. Numa fração de segundo, ela disse que sim e comprometeu totalmente o seu tempo e esforços para que o bebé fosse alimentado emocionalmente e cuidado como se fosse um dos seus”, disse a diretora do Hart Magnet, Linda Darling.

“Fiz o que devia ser feito, pela vida de um bebé”, concluiu a professora Luciana.

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