Técnica de enfermagem adota idosa com cancro abandonada no hospital pela filha

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Esta é a história de Maria Martins Ferreira

, uma senhora de 68 anos mais conhecida por D. Maria, e Maria Verônica Grossi, de 34 anos.

Infelizmente, a D. Maria foi abandonada pela filha no hospital de Carangola, no interior de Minas Gerais (Brasil), onde Verônica trabalha como técnica de enfermagem.

Verônica ficou tão sensibilizada com a situação e simpatizou de tal forma com a D. Maria, que a adotou, há 6 meses.

Atualmente, suporta sozinha as despesas da casa, do filho de 14 aos e dos tratamentos da D. Maria, que foi diagnosticada com um tumor no tórax, entre o coração e o pulmão, há cerca de um mês. “A minha menina é linda, é uma bênção na minha vida”, diz Verônica sobre a D. Maria.

Maria Martins Ferreira

Recuando 11 anos, encontramos Verônica a trabalhar num posto de saúde na zona rural de Carangola, posto esse que ficava demasiado distante para alguns habitantes. Por essa razão, Verônica fez questão de ir na sua moto visitá-los todos os dias.

Foi numa dessas visitas que Verônica conheceu a D. Maria, que na altura residia com uma filha e o genro.

“A D. Maria foi sempre muito comunicativa e bem-humorada. Não apresentava nenhuma doença. Eu adorava ouvir as suas histórias. Ríamos muito juntas. Mas ela vivia numa situação muito precária. Passaram-se os anos, e com o tempo criei um vínculo muito forte com ela”, conta Verônica.

Entretanto, a D. Maria mudou-se da zona rural para mais perto da casa da Verônica – parecia que o destino as queria aproximar.

Então, Verônica apercebeu-se que algo de mau se passava na casa da D. Maria, e veio a descobrir que ela era vítima de agressões e até mesmo uso de drogas por parte da filha e genro.

“Cheguei a chamar o conselho tutelar, mas nada resolvia o caso. Eu via no olhar da D. Maria que estava a acontecer algo e ela não me contava. Ela também sempre foi muito apegada à filha. Há 8 meses, a minha mãe disse-me que há uns 5 dias que não via sair fumo do fogão de lenha da casa da D. Maria. Fiquei preocupada e fui lá ver o que estava a acontecer”, continua.

Ao chegar lá, Verônica encontrou a casa toda aberta. Aproveitou para entrar e procurar a D. Maria, mas nem sinal dela. Apenas silêncio total. No final, acabou por dar com a D. Maria desmaiada, caída na beira da cama.

“No momento, o susto foi tão grande que achei que ela estava morta. Corri para casa e pedi o carro emprestado ao meu pai. Colocámos a D. Maria no carro e levámo-la ao hospital. Ela foi levada diretamente para as urgências. Estava muito desidratada e teve de ficar alguns dias internada”, lembra.

Verônica não sabia onde estavam a filha e o genro da D. Maria, então foi procura-los para pedir justificações e exigir que acompanhassem a idosa.

“A filha da D. Maria disse que não ia ao hospital ver a mãe porque tinha outros compromissos. Então, fui ficando com a D. Maria. Eu trabalhava um dia e no outro ficava com ela no hospital. Ao fim de 10 dias, a médica dela informou-me que lhe tinham detetado um tumor na região torácica, e aí percebi que a situação era mais grave do que eu imaginava”, conta Verônica.

Após o novo diagnóstico, Verônica contactou de novo a filha da D. Maria, mas esta não mostrou preocupação.

“Ela disse que não ia cuidar de uma pessoa tomada pelo cancro e pediu que eu parasse de a procurar e mandar recados”, conta.

Verônica preparou-se para falar a sério com a D. Maria, que estava preocupada com a filha e perguntava muito por ela.

“Eu disse-lhe: D. Maria, não lhe vou mentir, a sua filha não vem visitá-la. Mas não precisa de ficar triste, porque vou cuidar de si até resolvermos isto”, acrescenta.

A D. Maria passou 2 meses internada, sem qualquer visita da filha, o que fez Verônica tomar uma atitude. Ela não conseguia imaginar o que seria da idosa, que não tinha ninguém para a ajudar.

“Chamei o meu filho e disse-lhe que decidi fazer uma coisa, mas que ia precisar do apoio dele. Expliquei-lhe que ia adotar a D. Maria, mas que ele ia ter de me ajudar, porque íamos provar-nos de várias coisas para cuidar dela. Expliquei também que muitas vezes não lhe ia poder comprar o que ele queria e ele precisava de entender isso e não mo cobrar. Ele reagiu lindamente”, conta Verônica.

Então, a técnica de enfermagem foi para o hospital informar a D. Maria que ela ia passar a fazer parte da sua família.

 

“Ela ficou muito emocionada e disse que não acreditava que eu a ia tirar daquela vida. Fui ter com a assistente social do hospital e relatei os factos. Ela já estava a acompanhar o caso da D. Maria, fez uma documentação e a filha assinou, afirmando que não queria cuidar da mãe e que todas as responsabilidades passariam a ser minhas”, explica.

Já passaram 6 meses desde que a D. Maria vive com Verônica, num ambiente cheio de amor, carinho e felicidade.

“Parecia que tinha acabado de voltar da maternidade, quando a trouxe comigo. Arrumei o quarto para ela e transformei a minha casa para a receber”, conta Verônica, visivelmente emocionada.

Infelizmente, a D. Maria começou a sentir dores fortes na zona torácica, e está internada do hospital desde aí, a receber tratamento para o cancro.

“Começámos a escrever uma nova história para a D. Maria e deixámos tudo para trás, mas infelizmente ela está muito doente por causa do cancro. O médico relatou que já pode ser uma metástase. Fizemos alguns exames no Hospital do Câncer, em Muriaé, Minas Gerais, e está internada até hoje”, diz.

Verônica ganha apenas R$ 1.050, e paga R$ 600 de renda da casa, para além da água, luz, comida, remédios e fraldas para a D. Maria, que custam mais de R$ 500 por mês.

“Infelizmente, chegou a um momento em que a corda aperto. Quando ela estava em casa, eu conseguia fazer uns biscates, mas agora, com ela internada, não consigo os extras e também não tenho coragem de ficar longe dela. Sentimos muitas saudades uma da outra. Eu amo a minha menina”, conta.

Verônica já pediu ajuda às autoridades da cidade, mas não resultou em nada. Então, teve a ideia de pedir donativos online, e foi um sucesso, porque conseguiu atingir a meta predefinida, e ainda ultrapassá-la em 74%.

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