Não estou a tentar evitar-te e não tenho nada contra ti. É a ansiedade que me leva a afastar-me, mesmo que eu não queira

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A ansiedade, considerada o mal do século, é uma perturbação psicológica que pode ser muito incapacitante.

Por vezes, as pessoas que sofrem de ansiedade são incompreendidas pelos outros, e isolam-se ainda mais para evitar sentir isso.

Para ajudar a quebrar o estigma, deixamos uma carta aberta escrita por uma mulher com ansiedade, que explica como é viver com esse distúrbio:

“Sofrer de ansiedade significa viver momentos de medo inexplicável e insegurança e não querer mostrar tudo isso aos outros. Significa usar uma máscara e um sorriso falso que, às vezes, revelam apenas uma sombra do desconforto sentido. Viver com ansiedade leva ao cancelamento de um compromisso no último minuto, apresentando pequenas desculpas e justificações que acabam por dar a impressão errada. Não, não estou a tentar evitar-te e não tenho nada contra ti. Só sofro de ansiedade.

Recentemente, estava numa conferência, a conversar com dois amigos que conheci online há anos, mas que nunca tinha conhecido pessoalmente. Eles perguntaram-me se eu queria ir com eles comer alguma coisa, e eu quase lhes dei desculpas falsas. Procurei uma maneira de dizer não sem parecer louco. Tenho convivido com ataques de ansiedade há tempo suficiente para saber que se eu não me isolar, se eu não voltar para o meu quarto para relaxar, provavelmente acabarei por ter um ataque mais forte e não dormir a maior parte da noite.

Já enfrentei essa situação tantas vezes. Sempre que me afasto de um evento social por causa da minha ansiedade, ou tenho de cancelar algo no último momento porque a sinto a ferver no estômago ou sei que não conseguirei, e me perguntam o porquê, fico com vergonha de dizer que tenho ansiedade. Então, sempre parece que estou a evitar as pessoas.

Na maioria das vezes, estou 100% bem. Sou comunicativa, amigável, sou eu mesma. Mas depois há os momentos de ansiedade. Há momentos em que sinto o ataque de pânico a aproximar-se e sei que, se não tiver tempo para ficar a sós comigo, será pior. Sinto-me doente, sinto terror.

Há pessoas que não acreditam que a ansiedade seja real. Mas mesmo que acreditem, se não convivem com o distúrbio, é difícil para elas entenderem. E há a possibilidade de que, se eu falar com alguém sobre o meu distúrbio mental, essa pessoa começar a olhar para mim de maneira diferente. Então, maioria das vezes, escolho manter tudo para mim.

Eu queria muito ter ido comer com eles. Eu queria dizer que os respeito tanto como escritores quanto como pessoas, mas sabia que não podia. Finalmente, eu disse: “Tenho um distúrbio de ansiedade e estou um pouco ansiosa agora. Preciso de voltar para o meu quarto de hotel e ficar sozinho por um tempo. Não são vocês. Acreditem em mim”.

Eles pareceram entender, e quando voltei ao hotel, comecei a perguntar-me se tinha estragado a amizade. Eu não o fiz, mas é a ansiedade a falar. Leva-me a supor tudo e a inventar histórias no meio da noite até a exaustão.

Oiçam, família e amigos. Vou falar em nome de todos aqueles que sofrem de ansiedade: não estamos a evitar-vos. O que estamos a fazer é tentar manter a cabeça erguida. Estamos a tentar gerir o que nos rodeia da melhor maneira. Não é pessoal. Não são vocês. É apenas a realidade de viver com ansiedade. Espero que entendam”.

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