Transtorno de dependência de ecrãs é real e pode danificar o cérebro do seu filho

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Hoje em dia, é muito comum vermos crianças pequenas com aparelhos eletrónicos nas mãos, completamente absortas pelo mundo virtual.

Este é um cenário particularmente triste e preocupante, pois revela que muitos pais já não têm paciência para educar os filhos, e para não aturar as birras normais das suas idades, dão-lhes um telemóvel ou um tablet para os entreter.

Infelizmente, o tempo que passam coladas a um ecrã está a criar problemas a nível da saúde mental e do comportamento nas crianças, sendo que muitas choram com mais facilidade, partem coisas e até ameaçam suicidar-se.

Há cada vez mais provas que os pequenos estão viciados em tecnologia e videojogos, por causa da exposição prolongada, permitida pelos pais.

Os cérebros dos adultos são mais desenvolvidos, em comparação com os das crianças, que estão suscetíveis a mudanças estruturais significativas e negativas. Quando passam muito tempo com telemóveis, tablets ou computadores, o seu desenvolvimento neural pode mesmo ser prejudicado e levar a um transtorno de dependência de ecrãs e da internet.

O psicólogo Aric Sigman publicou um artigo de investigação no Jornal da Associação Internacional de Neurologia Infantil, onde afirma que o “vício” é um termo cada vez mais utilizado para descrever o número crescente de crianças cujo uso de aparelhos eletrónicos se pode considerar problemático.

Se tem filhos, netos ou primos, deve ficar atento à quantidade de tempo que estes passam a olhar para ecrãs, principalmente se estiverem na internet ou a jogar.

Aqui ficam alguns dos sintomas que uma criança apresenta quando ganha o vício:

  • Preocupação excessiva
  • Abstinência
  • Não interromper as atividades no ecrã
  • Perda de interesses externos
  • Continuação apesar das consequências negativas (como castigos)
  • Mentir sobre a extensão do uso

Segundo um estudo pulicado no Behavioral Sciences em 2015, 12% dos jovens adolescentes são “jogadores patológicos”, e apesar de os videojogos não envolverem substâncias químicas nem intoxicações, a verdade é que os sintomas são muito idênticos.

O psicoterapeuta George Lynn diz que 80% dos problemas dos seus pacientes resultam de jogarem muito, verem muitos vídeos e estarem constantemente nas redes sociais. Consequentemente, desenvolvem “uma síndrome de personalidade resultante do abuso e uso descontrolado de aparelhos tecnológicos durante o dia e a noite”.

“A maior parte dos médicos, de família e até mesmo psiquiatras, não estão atentos ao facto de que uma criança pode estar a receber apenas duas a três horas de sono à noite, se tanto, e isso causa problemas a nível da personalidade”, acrescentou o Dr. George.

Claudette Avelino-Tandoc, especialista em Desenvolvimento Familiar e Infantil e consultora em Educação Infantil, explica que o transtorno da dependência de ecrãs pode levar a insónias, dores nas costas, ganho ou pesa de peso, problemas visuais, dores de cabeça, ansiedade, desonestidade, sentimentos de culpa e solidão.

A longo prazo, os efeitos destes sintomas podem se tão graves como danos cerebrais, pois o cérebro das crianças pode literalmente encolher ou perder tecidos em vários lobos, como os responsáveis pela organização, pela supressão de impulsos socialmente inaceitáveis e pela capacidade de compaixão e empatia.

“Os dispositivos não são maus em si. São ferramentas úteis e essenciais para a comunicação, a pesquisa, a aprendizagem, o entretenimento, entre outras coisas. Os pais estão a lidar com aprendizes do século 21, a que chamamos de nativos digitais. Devem permitir que os filhos manipulem as ferramentas, mas o equilíbrio é a palavra chave”, explicou a especialista.

De seguida, deixamos algumas recomendações da Academia Americana de Pediatria e do Dr. Lynn, para quem tiver filhos com um transtorno de dependência:

  • Os pais de crianças de 18 a 24 meses de idade devem optar por assistir apenas a programas de alta qualidade, sempre junto deles para os ajudar a entender o que estão a ver;
  • Para crianças de 2 a 5 anos, o limite do uso de dispositivos deve ser de 1 hora por dia, e deve ser limitado a programas de qualidade. Nesta fase, é importante que os pais continuem presentes para as ajudar a perceber o que estão a ver e como podem relacionar isso com o mundo à sua volta;
  • As crianças de 6 anos ou mais devem ter limites consistentes para o tempo que passam com dispositivos, e aquilo que vêm também deve ser filtrado. Os ecrãs não devem estar presentes durante atividades físicas e ao adormecer.
  • Defina regras básicas de utilização dos dispositivos antecipadamente, como o tempo que as crianças podem gastar nos mesmos, e sítios onde seja proibido usá-los (como quartos) – é importante para que os pequenos cresçam habituados a essas regras e não as questionem regularmente;
  • Converse com as crianças frequentemente, em especial sobre cidadania e segurança online, e transmita-lhes a importância do respeito tanto dentro como fora da internet.

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